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09.12.2015

Jorge Telles: epidemia e enfrentamento social

O Ministério da Saúde reconheceu que vivemos uma epidemia. É grande o número de fetos e neonatos com microcefalia, especialmente no nordeste do país, superando 700 casos. A Associação Médica do RS (Amrigs) e a Sociedade Brasileira de Ultrassonografia (SBUS) alertam que estamos enfrentando, na verdade, uma epidemia de uma doença infectocontagiosa causada possivelmente por um vírus com tropismo pelo sistema nervoso central, que provoca uma encefalopatia. Os exames de imagem, especialmente a ultrassonografia, constatam que há uma destruição do sistema nervoso dos bebês. A etiopatogenia da microcefalia sugerida é uma encefalite, que leva a lesões destrutivas do cérebro, decorrentes do processo inflamatório infeccioso num órgão em formação.

Esta lesão não permite o seu crescimento adequado e a falta de crescimento cerebral não estimula o crescimento craniano. Os médicos e as entidades médicas estão concentrando esforços para descobrir o agente etiológico desse processo, que parece ser o vírus Zika, a forma de transmissão, a virulência do vírus e qual o perfil dos indivíduos infectados.

O vírus acomete gestantes provavelmente no primeiro trimestre de gestação. Há suspeita que possa também atingir outros grupos de seres humanos, incluindo adultos. Dessa forma, estamos enfrentando uma epidemia. Não se trata apenas de um surto ou epidemia de uma malformação isolada, pois a microcefalia é o resultado ou sequela do processo destrutivo do tecido nervoso, causado pelo agente infeccioso. A relativa baixa velocidade de disseminação, mas crescente, da doença para outras regiões se deve à forma de contágio, presumivelmente pelo mosquito. O médico ultrassonografista ou especialista em Medicina Fetal tem condições de identificar sinais do comprometimento fetal.

Devido ao aparecimento tardio, sugere-se especial atenção nos exames morfológicos fetais. Recomendamos a todos, particularmente às grávidas no primeiro trimestre de gestação, que usem repelentes e qualquer gestante que apresente lesões pelo corpo com prurido que procurem seu médico pré-natalista imediatamente para avaliação.

Dr. Jorge Telles
Especialista em Medicina Fetal - Diretor da Amrigs e SBUS - Autor de Cursos da Meddco 

Artigo reproduzido.
Fonte: Zero Hora



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